Após a Kombi ter fechado sua lotação (em menos de 1 minuto), seguimos de Realengo para a Barra da Tijuca. Chegando ao local, mais uma “jaca”: filas kilométricas. No entanto, não deixando que o desânimo tomasse conta, fui verificar como estava a entrada e se havia alguma restrição para câmeras fotográficas e outros objetos como haviam anunciado dias atrás. Chegando próximo ao portão de entrada, percebi que ali estava havendo uma confusão. Em um determinado momento, um grupo de pessoas derrubou uma das cercas de contenção e acesso. Nesse momento formou-se uma pequena fila e, sem saber o que ia acontecer, tratei de garantir uma vaga. Para a minha sorte, deu certo! Entrando na Cidade do Rock, pude ter uma idéia de como são os grandes festivais do estilo espalhados pelo mundo. Por volta de 15h, havia pelo menos umas 60 mil pessoas aguardando o início das apresentações. Entre diversas barracas armadas, percorri um longo trecho até chegar ao palco principal (Mundo). Nesse caminho, lembrei de verificar se iria conseguir comprar o “lanche do Bobs” como o meu bom pai havia explicado. Para a minha surpresa – é isso mesmo, ainda fiquei surpreso -, o tal lanche custava mais de 20 reais. Logo percebi, que com os meus R$ 8 restantes não conseguiria comer. Porém, como ainda estava satisfeito, não me importei e segui em direção ao show.
A primeira banda a se apresentar foi o Pato Fu. Confesso que não era bem o que eu esperava para um grande concerto de Rock, mas houve um momento em que o grupo surpreendeu e, para alegria dos expectantes, mandou Enter Sadman do Metallica. Logo após, aconteceu um dos fatos mais marcantes do festival: Carlinhos Brown entrou no palco e não foi muito bem recebido pelo público ali presente.
Em minha opinião, a maior culpada por essa tragédia foi, sem dúvidas, a organização do evento. Todos sabem da importância de valorizarmos a cultura brasileira, bem como sua musicalidade. Também é sabido que o artista já esteve presente em alguns projetos do gênero Rock, como na música Ratamahatta da banda nacional de Trash Metal: Sepultura. No entanto, o estilo musical de Carlinhos (algo meio Axé com Soul/Black Music) não é um dos mais amados pelos rockeiros brasileiros. De certo, a escalação do músico para o dia foi completamente inapropriada, levando em conta que existiram dias do evento com características mais parecidas com o som de Brown.
Nos intervalos de cada apresentação, já acontecia A Guerra das Garrafinhas. Como o público era dividido ao meio por um espaço destinado a mesa de som, durante a mudança de bandas era o lado esquerdo contra o direito, formando uma verdadeira chuva de garrafinhas plásticas, do estilo “pitchula”. Porém, quando começavam as apresentações, a disputa cessava e só começava novamente após o termino do show. Eu mesmo levei algumas garrafadas na moleira e um sopapo de um rolo de papel higiênico – não usado, graças a Deus. Para Carlinhos Brown foi diferente.
No início, algumas vaias demonstravam que o público não estava interessado em seu trabalho. Depois de alguns gestos obscenos, pessoas ficando de costas para o palco e gritos de “ih fora, ih fora” as coisas ficaram quentes. Carlinhos não segurou a pressão e revidou à platéia mandando-a enfiar o dedo naquele lugar. O fato pode ser confirmado no site Whiplash.net (para quem quiser uma fonte oficial). Desse momento em diante, foi ladeira abaixo. Uma parte do público que até então estava neutra, juntou-se aos insatisfeitos e formou uma grande massa crítica que passou a vaiar incessantemente a apresentação do artista a fim de encurtar sua passagem no festival. Carlinhos tentou insistir, mas teve o som cortado e foi o fim daquele vexame.
Naquela altura do campeonato já me restavam apenas quatro reais, pois cada garrafinha de água, lá no meio, custava dois reais.
Continua...
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