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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Desventuras no Rock in Rio (2ª parte)

Após a Kombi ter fechado sua lotação (em menos de 1 minuto), seguimos de Realengo para a Barra da Tijuca. Chegando ao local, mais uma “jaca”: filas kilométricas. No entanto, não deixando que o desânimo tomasse conta, fui verificar como estava a entrada e se havia alguma restrição para câmeras fotográficas e outros objetos como haviam anunciado dias atrás. Chegando próximo ao portão de entrada, percebi que ali estava havendo uma confusão. Em um determinado momento, um grupo de pessoas derrubou uma das cercas de contenção e acesso. Nesse momento formou-se uma pequena fila e, sem saber o que ia acontecer, tratei de garantir uma vaga. Para a minha sorte, deu certo!

Entrando na Cidade do Rock, pude ter uma idéia de como são os grandes festivais do estilo espalhados pelo mundo. Por volta de 15h, havia pelo menos umas 60 mil pessoas aguardando o início das apresentações. Entre diversas barracas armadas, percorri um longo trecho até chegar ao palco principal (Mundo). Nesse caminho, lembrei de verificar se iria conseguir comprar o “lanche do Bobs” como o meu bom pai havia explicado. Para a minha surpresa – é isso mesmo, ainda fiquei surpreso -, o tal lanche custava mais de 20 reais. Logo percebi, que com os meus R$ 8 restantes não conseguiria comer. Porém, como ainda estava satisfeito, não me importei e segui em direção ao show.

A primeira banda a se apresentar foi o Pato Fu. Confesso que não era bem o que eu esperava para um grande concerto de Rock, mas houve um momento em que o grupo surpreendeu e, para alegria dos expectantes, mandou Enter Sadman do Metallica. Logo após, aconteceu um dos fatos mais marcantes do festival: Carlinhos Brown entrou no palco e não foi muito bem recebido pelo público ali presente.

Em minha opinião, a maior culpada por essa tragédia foi, sem dúvidas, a organização do evento. Todos sabem da importância de valorizarmos a cultura brasileira, bem como sua musicalidade. Também é sabido que o artista já esteve presente em alguns projetos do gênero Rock, como na música Ratamahatta da banda nacional de Trash Metal: Sepultura. No entanto, o estilo musical de Carlinhos (algo meio Axé com Soul/Black Music) não é um dos mais amados pelos rockeiros brasileiros. De certo, a escalação do músico para o dia foi completamente inapropriada, levando em conta que existiram dias do evento com características mais parecidas com o som de Brown.

Nos intervalos de cada apresentação, já acontecia A Guerra das Garrafinhas. Como o público era dividido ao meio por um espaço destinado a mesa de som, durante a mudança de bandas era o lado esquerdo contra o direito, formando uma verdadeira chuva de garrafinhas plásticas, do estilo “pitchula”. Porém, quando começavam as apresentações, a disputa cessava e só começava novamente após o termino do show. Eu mesmo levei algumas garrafadas na moleira e um sopapo de um rolo de papel higiênico – não usado, graças a Deus. Para Carlinhos Brown foi diferente.

No início, algumas vaias demonstravam que o público não estava interessado em seu trabalho. Depois de alguns gestos obscenos, pessoas ficando de costas para o palco e gritos de “ih fora, ih fora” as coisas ficaram quentes. Carlinhos não segurou a pressão e revidou à platéia mandando-a enfiar o dedo naquele lugar. O fato pode ser confirmado no site Whiplash.net (para quem quiser uma fonte oficial). Desse momento em diante, foi ladeira abaixo. Uma parte do público que até então estava neutra, juntou-se aos insatisfeitos e formou uma grande massa crítica que passou a vaiar incessantemente a apresentação do artista a fim de encurtar sua passagem no festival. Carlinhos tentou insistir, mas teve o som cortado e foi o fim daquele vexame.

Naquela altura do campeonato já me restavam apenas quatro reais, pois cada garrafinha de água, lá no meio, custava dois reais.


Continua...

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Desventuras no Rock in Rio (1ª parte)

Este é o registro da minha primeira experiência no festival musical Rock in Rio, que aconteceu a dez anos, em janeiro de 2001, na cidade do Rio de Janeiro. Às vésperas de mais uma participação no evento (25 de setembro de 2011 – Metallica), relembro ainda todos os instantes daquele dia que ficou marcado não só como um momento de êxtase desse jovem que vos transmite, mas também como mais um dia de provação e penitência que fui impelido a cumprir.


De forma nenhuma, estou aqui para apontar os culpados ou inocentes desta controversa história, visto que uma figura muito importante e amada foi quem me colocou naquele mato sem cachorro. Em minha concepção, qualquer experiência é válida nesse mundo de provações e aprendizados, pois estamos todos aqui para nos despirmos das carcaças da ignorância e da burrice. No entanto, meus amigos, jumento lerdo morre dançando no chicote.


Era manhã do dia 14 de janeiro de 2001, cidade do Rio de Janeiro. Estava na casa de minha avó, em Realengo, ouvindo num velho gravador a rádio Rock Clube Cidade, que estava cobrindo os bastidores do Rock in Rio. Lembro que os apresentadores estavam falando ao vivo da cidade do Rock (nome do local do evento) na Barra da Tijuca e especulava-se até que o Slash (ex Guns N’ Roses) iria aparecer na apresentação do “Guns” daquela noite. Nada mais do que especulação mesmo.


Os ingressos já haviam sido comprados por meu pai, que passou cerca de 3 horas na fila para consegui-los - vai ver foi esse o motivo da provação. Na época, ele pagou 35 reais por cada ingresso – o que leva a um grande contraste com o valor do ingresso atual que custa R$ 95 a meia e R$ 190 a inteira, mesmo com a mudança da capacidade público que diminuiu de 350 mil para apenas 100 mil pessoas por dia de show.


Fazia um calorão na cidade aquele dia. Próximo ao horário de almoço, já estava pronto e fiz uma refeição consideravelmente farta preparada por minha avó Maria. O evento iniciava às 16 horas, no entanto, teria que adiantar a minha ida pela condição a qual estava imposto. Na noite anterior, meu pai convicto do poder de compra de uma nota de 10 reais, glorificando toda a força do plano real, entregou a quantia para mim, explicando que se eu economizasse conseguiria comprar um sanduíche do Bobs e uma Coca-cola. Um detalhe importante a ser considerado é que, desses dez reais, eu teria que separar a quantia da passagem de ida e volta do ônibus – na época a passagem custava mais ou menos R$1,50.


Respirei fundo antes de sair de casa e, munido com os meus 10 reais, comecei uma caminhada de 3 km até uma igreja aonde os ônibus que iam ao Rock in Rio estavam passando. Chegando ao local, percebi o ponto vazio e me questionei se realmente era ali o ponto para o transporte. Mas, após alguns minutos visualizei o primeiro ônibus vindo pela avenida. Já empolgado e com um sorriso no rosto, acenei com a mão para a parada do ônibus, no entanto, o veículo passou feito um tornado entupido de gente, sem qualquer intenção de parar. Após o terceiro cano já estava desanimado. Foi nesse momento que surgiu uma Kombi com um sujeito gritando: “Rock in Rio”. Sem me importar com a qualidade do serviço, pulei para dentro do veículo seguido de várias pessoas que surgiram do nada. Em 30 segundos a Kombi já estava lotada. No final das contas, acabei gastando 50 centavos a mais e teria que economizar o máximo possível.

Continua...