Este é o registro da minha primeira experiência no festival musical Rock in Rio, que aconteceu a dez anos, em janeiro de 2001, na cidade do Rio de Janeiro. Às vésperas de mais uma participação no evento (25 de setembro de 2011 – Metallica), relembro ainda todos os instantes daquele dia que ficou marcado não só como um momento de êxtase desse jovem que vos transmite, mas também como mais um dia de provação e penitência que fui impelido a cumprir. De forma nenhuma, estou aqui para apontar os culpados ou inocentes desta controversa história, visto que uma figura muito importante e amada foi quem me colocou naquele mato sem cachorro. Em minha concepção, qualquer experiência é válida nesse mundo de provações e aprendizados, pois estamos todos aqui para nos despirmos das carcaças da ignorância e da burrice. No entanto, meus amigos, jumento lerdo morre dançando no chicote.
Era manhã do dia 14 de janeiro de 2001, cidade do Rio de Janeiro. Estava na casa de minha avó, em Realengo, ouvindo num velho gravador a rádio Rock Clube Cidade, que estava cobrindo os bastidores do Rock in Rio. Lembro que os apresentadores estavam falando ao vivo da cidade do Rock (nome do local do evento) na Barra da Tijuca e especulava-se até que o Slash (ex Guns N’ Roses) iria aparecer na apresentação do “Guns” daquela noite. Nada mais do que especulação mesmo.
Os ingressos já haviam sido comprados por meu pai, que passou cerca de 3 horas na fila para consegui-los - vai ver foi esse o motivo da provação. Na época, ele pagou 35 reais por cada ingresso – o que leva a um grande contraste com o valor do ingresso atual que custa R$ 95 a meia e R$ 190 a inteira, mesmo com a mudança da capacidade público que diminuiu de 350 mil para apenas 100 mil pessoas por dia de show.
Fazia um calorão na cidade aquele dia. Próximo ao horário de almoço, já estava pronto e fiz uma refeição consideravelmente farta preparada por minha avó Maria. O evento iniciava às 16 horas, no entanto, teria que adiantar a minha ida pela condição a qual estava imposto. Na noite anterior, meu pai convicto do poder de compra de uma nota de 10 reais, glorificando toda a força do plano real, entregou a quantia para mim, explicando que se eu economizasse conseguiria comprar um sanduíche do Bobs e uma Coca-cola. Um detalhe importante a ser considerado é que, desses dez reais, eu teria que separar a quantia da passagem de ida e volta do ônibus – na época a passagem custava mais ou menos R$1,50.
Respirei fundo antes de sair de casa e, munido com os meus 10 reais, comecei uma caminhada de 3 km até uma igreja aonde os ônibus que iam ao Rock in Rio estavam passando. Chegando ao local, percebi o ponto vazio e me questionei se realmente era ali o ponto para o transporte. Mas, após alguns minutos visualizei o primeiro ônibus vindo pela avenida. Já empolgado e com um sorriso no rosto, acenei com a mão para a parada do ônibus, no entanto, o veículo passou feito um tornado entupido de gente, sem qualquer intenção de parar. Após o terceiro cano já estava desanimado. Foi nesse momento que surgiu uma Kombi com um sujeito gritando: “Rock in Rio”. Sem me importar com a qualidade do serviço, pulei para dentro do veículo seguido de várias pessoas que surgiram do nada. Em 30 segundos a Kombi já estava lotada. No final das contas, acabei gastando 50 centavos a mais e teria que economizar o máximo possível.
Continua...
Nossa, rod, sera que esse ano vai assim tbm? rsrss
ResponderExcluirAss: Nathalia
ResponderExcluir=)